Adoração na Igreja Presbiteriana do Brasil

Por não possuir um Livro de Adoração oficial que regule o culto na IPB como acontece com suas congêneres norte-americanas, europeias ou mesmo brasileiras (IPIB), é possível encontrar algumas correntes divergentes de adoração dentro Igreja. Nos Princípios de Liturgia (PL), que regulamentam de forma simplificada e objetiva o culto na Igreja, pode-se ler o seguinte quanto ao propósito e os elementos do culto a Deus:

CAPÍTULO III – CULTO PÚBLICOArt.7º – O culto público é um ato religioso, através do qual o povo de Deus adora o Senhor, entrando em comunhão com Ele, fazendo-lhe confissão de pecados e buscando, pela mediação de Jesus Cristo, o perdão, a santificação da vida e o crescimento espiritual. É ocasião oportuna para proclamação da mensagem redentora do Evangelho de Cristo e para doutrinação e congraçamento dos crentes. Art.8º – O culto público consta ordinariamente de leitura da Palavra de Deus, pregação, cânticos sagrados, orações e ofertas. A ministração dos sacramentos, quando realizada no culto público, faz parte dele.

Num breve ensaio realizado pelo Rev. Christian S. Bittencourt [1], ex-professor do Seminário Teológico do Rio de Janeiro, foram identificados ao menos quatro grupos distintos que configuram as formas de adoração que podem ser encontradas na IPB. A seguir encontra-se um breve resumo de cada grupo e, em seguida, uma tabela comparativa com as práticas de cada um.

TRADICIONAIS CONSERVADORES (Old-school Conservatives)

Este grupo representa a maioria dos presbiterianos do Brasil. Sua liturgia se baseia livremente no capítulo 6 do Livro do Profeta Isaías:

Cahamada a Adoração

Confissão de Pecados

Louvor

Ofertório

Sermão

Ministração dos Sacramentos

Bênção

Empregam hinos tradicionais e músicas contemporâneas em sua liturgia. Geralmente o louvor é dirigido por um grupo musical contemporâneo ou coral. Quanto a observância de datas litúrgicas, costumam celebrar apenas Natal e Páscoa em sua maioria. Evitam o uso do Lecionário, orações escritas, credos, responsos litúrgicos e raramente os ministros usam Toga ou camisa clerical, quando o fazem não costumam usar estola.

EVANGELICAIS CARISMÁTICOS (Evangelical Charismatics)

São o segundo maior grupo e o que mais cresce dentro da IPB, seu culto assemelha-se ao das demais igrejas evangélicas contemporâneas, geralmente constituído por:

Louvor

Sermão

Ministração dos Sacramentos

Bênção

Sua liturgia é bem livre, a maioria dos outros atos são inseridos mais ou menos no chamado “momento de louvor”. Empregam músicas contemporâneas na liturgia, especialmente as que se encontram em alta no meio “gospel”. Durante os cultos há o costume de bater “palmas pra Jesus” e responder “Aleluia” e “Glória a Deus”. Há ainda comunidades que possuem grupos de dança e teatro para serem encenados durante o culto.

Algumas das práticas adotadas por esse grupo estão em desacordo com as deliberações recentes do Supremo Concílio a respeito de liturgia.

TRADICIONAIS HISTÓRICOS (Neo-orthodox Conservatives)

Constituem o terceiro grupo dentro da IPB. Defendem uma liturgia alinhada a tradicional liturgia cristã:

Ritos Iniciais

Confissão de Pecados

Absolvição

Liturgia da Palavra

Liturgia dos Sacramentos

Ritos de Envio

Empregam o uso do Lecionário, observam o calendário Litúrgico Cristão e datas da IPB, fazem amplo uso do hinário, conciliando-o com músicas contemporâneas cabíveis a liturgia. Recitam os Credos, fazem a Oração Dominical, utilizam orações escritas, antífonas, e responsos litúrgicos. Os ministros usam a Toga de Genebra com ou sem estola e/ou camisa e colarinho clerical. Esse grupo, encabeçado por jovens ministros com uma ampla formação acadêmica, defende uma liturgia mais próxima a das igrejas congêneres da IPB que possuem um Livro de Adoração, bem como da liturgia cristã histórica.

Algumas práticas desse grupo, como o uso das cores litúrgicas e paramentos como a Coroa do Advento estão em desacordo com as deliberações do Supremo Concílio, que considerou essas práticas “romanistas”.

(NEO)PURITANOS (Ultra-puritans)

Este grupo configura-se o quarto e menor grupo dentro da Igreja, porém não menos ativo. Defendem uma liturgia baseada no Diretório de Culto de Westminster:

Chamada à Adoração

Cântico dos Salmos

Leituras do Antigo Testamento e Novo Testamento

Orações de Confissão de Pecados, Intercessão e por Iluminação

Sermão

Ministração dos Sacramentos

Exortação para Viver Vidas Dignas

Oração de Ação de Graças e para uma Vida Digna

Coleta de Ofertas para os Pobres

Cântico de um Salmo

Bênção

Na liturgia puritana as mulheres não estão autorizadas a falar durante os cultos, não fazem uso de instrumentos musicais ou utilizam apenas o saltério. O canto é à capela e restrito aos salmos metrificados. Nenhuma data do calendário litúrgico é observada, nem mesmo o Natal e a Páscoa. Os ministros costumam se trajar de maneira simples e austera.

A restrição dos instrumentos e da participação das mulheres no culto também estão em desacordo com as normas do Supremo Concílio.

TABELA COMPARATIVA

Adoração na IPB

RECURSOS LITÚRGICOS

A IPB não tem liturgia oficial semelhante ao Book of Worship Comum da PC(USA). Em ocasiões mais solenes, como casamentos e funerais, quando os ministros de todos os quatro grupos litúrgicos achar que é necessário usar uma liturgia mais estruturada, eles costumam empregar um dos três recursos:

  • Manual de Culto, uma compilação não-oficial de ordens de serviço feito pelo Rev. Modesto Carvalhosa de Perestrello para servir como um guia para líderes leigos no início do século 20, publicado pela Editora Cultura Cristã.
  • Manual Litúrgico, uma expansão do Manual de Culto com formas alternativas e leituras bíblicas.
  • O Manual de Culto da Igreja Presbiteriana Independente, que é uma tradução abreviada do Livro de Culto Comum da PC(USA) 1993.