Homilia – Domingo da Transfiguração – ano A

Êxodo 24.12-18

Antífona: Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje,
te gerei. (Sl 2.7) Exaltai ao Senhor, nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo
monte, porque santo é o Senhor, nosso Deus. (Sl 99.9)

Salmo 2

II Epístola de São Pedro 1.16-21

Aclamação do Evangelho: O salmista canta ao Ungido de Deus: Tu és o mais formoso
dos humanos; nos teus lábios se extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou
para sempre. (Sl 45.2)

Evangelho s. São Mateus 17.1-9

 

No último Domingo do primeiro ciclo do Tempo Comum, chamados também de domingos após a Epifania, celebramos a Transfiguração de Jesus no monte. Esse episódio enigmático da vida de Cristo é para a Igreja grande e santo testemunho do porvir. A transfiguração é a maior manifestação (epifania), da glória dos Céus e do corpo glorificado que os eleitos receberão de Deus quando tudo estiver consumado.

Os montes, desde a época de Moisés, foram lugares de encontro com Deus. Foi no monte que Abraão levou Isaque para o sacrifício, e ali foi agraciado com a Aliança de Deus; no monte o povo recebeu a Lei do Senhor; e ainda nos montes muitos profetizaram e batalharam pela força de Javé. Quando Jesus decidiu subir ao monte levou seus mais próximos discípulos para um encontro inesquecível com Deus.

Chegando ali o rosto de Jesus se transformou, encheu-se de glória, glória vinda do Céu e todo o seu corpo transfigurou-se diante dos discípulos. Logo em seguida à transformação, também aparecem Moisés e Elias. Aquele lugar já não era apenas o monte, mas era também o Reino dos Céus. A Transfiguração é a grande Epifania da vida eterna, neste episódio da caminhada de Cristo, ele testemunhou aos discípulos a glória da vida que eles deveriam esperar para a eternidade. Diante deles estava Deus, Filho amado do Pai; o corpo deste Deus encarnado estava perfeito e glorioso, como um dia seriam também os seus; ao lado de Jesus estavam seus servos vivos, honrando-o com glória e louvor. Naquele dia os discípulos receberam um fiel testemunho da ressurreição e glorificação que todo o crente em Cristo Jesus deve esperar, da vida que um dia todos reunidos iremos desfrutar nos novos Céus e  nova Terra.

Mas a Transfiguração não é apenas uma mensagem de transformação vindoura, ela também propõe uma transformação de vida hoje, enquanto aguardamos a vinda de Cristo. Os discípulos foram profundamente impactados por essa visão. Tiveram temor, ficaram assustados, mas como declarou o apóstolo Pedro anos depois, ter sido parte desse acontecimento tornou-os aptos a testemunhar como fiéis testemunhas oculares da glória e divindade de Cristo, que a nós veio salvar. Somos convidados também a ter uma vida transformada pela certeza do retorno de Cristo, da ressurreição dos mortos, da glorificação dos corpos e da vida eterna. Precisamos ser fiéis testemunhas dessas verdades e crer que a vida de transformação começa hoje e aqui, e continuará nos Céus por toda a eternidade, precisamos compartilhar as Boas-Novas da salvação e levar aos perdidos essa mensagem de regeneração e glória.

 

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

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Homilia – VII Domingo do Tempo Comum – ano A

Levítico 19.1-2, 9-18

Antífona: Ensina-me, Senhor, o caminho dos teus decretos, e os seguirei até ao fim. (Sl 119.33)

Salmo 119.33-40

I Epístola de São Paulo aos Coríntios 3.10-11, 16-23

Aclamação do Evangelho: Jesus pede a Deus em oração: Santifica meus discípulos
na verdade; a tua palavra é a verdade. (Jo 17.17)

Evangelho s. São Mateus 5.38-48

 

A Palavra de Deus é a manifestação do Senhor no meio do seu povo. É por ouvir a voz de Deus que aprendemos a discernir o certo do errado. Também é ouvindo a voz de Deus que aprendemos a agir como Deus requer de nós.

Nosso cristianismo atual, que goza de paz em relação ao estado e pessoas de outras crenças, do conforto de nossos templos e locais de culto, da alegria das programações e cultos semanais precisa ser mais do que isso. Todas essas maravilhosas condições precisam nos levar a agir de forma diferente em nosso viver. Precisamos obedecer e compartilhar o que temos ouvido e aprendido. Devemos ser diferentes daqueles que desconhecem a Deus.

Oferecer a outra face, não recorrer à vingança, amar ao próximo, sendo ele o nosso inimigo, não é uma tarefa das mais fáceis. É por essa razão que não é uma missão para nós simples homens que nos julgamos ser ou saber algo, mas um ofício para pessoas redimidas e habitadas pelo Espírito de Deus, cujo poder transforma suas vidas e a dos outros que estão a sua volta. Por essa razão precisamos dar ouvidos e deixar com que a Palavra de Deus seja nossa guia, pois, para cumprir esse chamado precisamos estar cheios do Espírito de Deus e é por ouvir a Voz de Deus, meio de sua graça, que estaremos cheios do Espírito e capacitados para agir como perfeitos filhos de Deus e embaixadores dos Céus.

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – VI Domingo do Tempo Comum – ano A

Deuteronômio 30.15-20

Antífona: Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei
do Senhor. (Sl 119.1)

Salmo 119.1-8

I Epístola de São Paulo aos Coríntios 3.1-9

Aclamação do Evangelho: Simão Pedro respondeu a Jesus: Senhor, para quem iremos?
Tu tens as palavras da vida eterna. (Jo 6.68)

Evangelho de s. São Mateus 5.21-37

 

Uma proposta de vida ou morte:

A liturgia da Palavra deste Domingo é clara e objetiva. Deus fez ao homem uma proposta de vida ou morte. Para viver o homem precisa obedecer a Deus e isto somente. Não é tarefa das mais fáceis, mas Jesus Cristo já cumpriu a tarefa mais difícil de toda a nossa caminhada em direção ao Pai, ele morreu na cruz por nós, e morreu pois nós optamos pela proposta de morte. Esta consistem em desobedecer a Deus e viver segundo o nosso próprio entendimento, seguindo os caprichos do coração e enganando-nos a nós mesmos, mentindo para nós que obedecemos a Deus, quando na verdade queremos obedecê-lo a nossa maneira.

Jesus já pagou o preço pela nossa escolha de morte, ele já morreu em nosso lugar e comprou nossa liberdade, cabe a nós viver a proposta de vida que Deus colocou diante de nós. Obedecer requer atitude. Jesus demonstra isso quando exemplifica a atitude obediente à mutilação do corpo. Não é uma ordenança literal, mas serve para mostrar-nos o quão importante é posicionar-se contra o pecado e o mal que nos assola. Para viver a promessa de vida é preciso lutar contra o que nos impede de caminhar, lançar fora o que nos atrapalha de correr a corrida da vida cristã e chegar ao final, mesmo sem um braço ou uma perna, mas estar diante do Senhor. Padecer no caminho não é uma escolha é negar que alguém já padeceu por nós.

 

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – V Domingo do Tempo Comum – ano A

Livro do profeta Isaías 58.1-9a (9b-12)

Antífona: Ao justo, nasce luz nas trevas; ele é benigno, misericordioso e justo. (Sl112.4)

Salmo 112.1-9 (10)

I Epístola de S. Paulo aos Coríntios 2.1-12 (13-16)

Aclamação do Evangelho: Jesus Cristo diz: Eu sou a luz do mundo; quem me segue
nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida. (Jo 8.12)

Evangelho s. S. Mateus 5.13-20

“Vós sois a luz do mundo” – A luz precisa brilhar, precisa levar claridade a quem está cego. O brilho do cristão é a sua fé, que o leva a praticar boas obras que iluminam a vida dos perdidos e desamparados.

Os textos anteriores ao Evangelho mostram a necessidade de sermos verdadeiros para com nosso Deus. Ele requer de nós obediência e ação. Tudo o que sabemos, o que pelo Espírito passamos a compreender e crer, precisa se tornar visível em nossa forma de viver. Brilhar e salgar é agir, é dar comida ao faminto, do pão material ao Pão da Vida; é dar água mineral ao que tem sede e também Água da Fonte de Vida; é cobrir o nú, consolar o aflito fazer o que Cristo fez como embaixadores do Céu neste mundo, como o próprio Corpo de Cristo operante na Terra.

Temos brilhado? Temos salgado? Ou temos sido pisados e colocados em baixo da cama? Deus quer que brilhemos, Ele dará toda a força para brilharmos, tendo fé as obras virão, tendo confiança a boca se abrirá e estando no Espírito ele nos transformará! É tempo! Não desista de brilhar, não pense que é impossível salgar. Cristo nos ajudará a viver consoante a sua vontade.

Se você tem brilhado e salgado a vida dos homens, encorajo-te a continuar assim! Que Deus o abençoe e que você possa ser exemplo a ser seguido.

Deus, capacita-nos a brilhar, dá-nos a cada dia do teu Santo Espírito e que nossa fé produza brilhantes obras que mostrem o Senhor a quem servimos. Amém.

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – IV Domingo do Tempo Comum – ano A

Livro do profeta Miqueias 6.1-8

Antífona: Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? (Sl 15.1)

Salmo 15

I Epístola de São Paulo aos Coríntios 1.18-31

Aclamação do Evangelho: Jesus leu no livro do profeta Isaías: O Espírito do Senhor
está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me
para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para
pôr em liberdade os oprimidos. (Lc 4.18)

Evangelho s. São Mateus 5.1-12

 

Obedecer a Deus é o que o agrada. Desde os tempos antigos Deus ensinou ao seu povo que melhor do que os sacrifícios é a obediência e observância de sua Palavra. Obedecer consiste em dar passos na direção de Deus, que nos ama tanto, ao ponto de nos chamar, nós que éramos pecadores, homens incorruptos e inimigos do Senhor. Ele escolhe aqueles que, em sua maioria, eram incapazes por si próprios para exaltar sua sabedoria divina, a qual supera qualquer sabedoria e esforço humano. Aqueles que eram desprezados pelo mundo, Deus os faz preciosos para si e os torna herdeiros de seu Reino e justiça.

Jesus Cristo nas conhecidas beatitudes, também chamadas “bem-aventuranças” descreve as características dos que são bem-aventurados. Mas o que significa ser bem-aventurado? Segundo o dicionário Priberam encontram-se entre os significados desse adjetivo as seguintes características: O que goza da eterna beatitude; felicidade perfeita; ditoso; feliz. Ser humilde, chorar, ser manso, desejar a justiça, ser misericordioso, limpo de coração, pacificador, perseguido e insultado é loucura para o mundo sem Luz! Mas Cristo faz com que a loucura deles seja sabedoria e beatitude para os seus remidos.

Esta é a verdadeira felicidade, a eterna alegria, ser simples e obedecer a Deus, pois ele recompensará os que assim procederem. Deus quer que obedeçamos o que temos aprendido domingo após domingo, o que lemos em nossa meditação diária e o que confessamos e professamos diante dele e dos homens. Foi por essa razão que ele manifestou-se a nós, para que o obedecêssemos e fôssemos por ele consolados e nutridos de tudo quanto precisamos. Ele é a nossa força, permaneçamos nele e ele permanecerá em nós.

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – III Domingo do Tempo Comum – ano A

Livro do Profeta Isaías 9.1-4

AntífonaO Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? (Sl 27.1)

Salmo 27.1, 4-9.

I Epístola de São Paulo aos Coríntios 1.10-18.

Aclamação do EvangelhoPercorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. (Mt 4.23)

Evangelho s. São Mateus 4.12-23.

Na lição do evangelho de hoje, vemos Jesus manifestando-se a um povo a um povo que estava em trevas. A esperança prometida a esse território excluído e desprezado pelo homens havia chegado. Os últimos dias do qual falou o profeta Isaías haviam chegado, como o Cristo proclamava ao povo, estava próximo o Reino de Deus.

Jesus inicia o chamado de seus discípulos nessa terra, indo de encontro e manifestando-se a homens simples, pescadores. A proposta de Jesus para esses homens simples era de certa forma estranha. Tornar-se pescadores de homens. O que seria isso? Os irmãos não discutiram a proposta de Cristo, mas obedecendo ao chamado, foram e confiaram no Senhor. De semelhante modo passou por João e Tiago, que também o seguiram sem pestanejar.

A laboriosa atividade da pesca nos tempos de Jesus, como ainda é em muitos lugares pelo mundo, exigia força e causava desgaste. Se lançar redes ao mar é difícil, quanto mais lançá-las aos homens? A diferença das duas tarefas, é que a força necessária para pescar os homens vem do Espírito Santo de Deus. Tiago e João não precisariam mais se preocupar em consertar as redes, mas em confiar no Espírito de Deus, que daria a eles toda a força necessária e autoridade para que a pesca de homens fosse como a Pesca Maravilhosa.

Somos chamados a ser pescadores de homens. Uns por meio do ministério da Palavra, outros por meio de suas funções profissionais, chamados para ser professores de homens, médicos de homens, auxiliares de homens e em tudo o que fizerem brilhar a luz como o Cristo brilhou em Zebulom e Naftali, a Galileia dos Gentios.

Servir a Cristo é um ministério integral, um chamado perpétuo para o verdadeiro Cristão, ou seja aquele que como Cristo se manifesta aos homens capacitando-os a servir o Reino de Deus.

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – II Domingo do Tempo Comum – ano A

Livro do Profeta Isaías 49.1-7

AntífonaProclamarei as boas-novas de justiça na grande congregação; jamais
cerrei os lábios, tu o sabes, Senhor. (Sl 40.9)

Salmo 40.1-11

Epístola de São Paulo aos Coríntios 1.1-9

Aclamação do Evangelho: O Senhor me disse: Israel, você é o meu servo, e por meio de você serei glorificado. (Is 49.3)

Evangelho s. São João 1.29-42

O primeiro ciclo do Tempo Comum é uma época de manifestações, por isso também é dado a esses Domingos o nome de “Domingos após a Epifania”, são Domingos em que nos aproximamos de Cristo pelos relatos de suas várias epifanias aos homens.

Na homilia de hoje voltamos ao texto do batismo do Senhor, porém agora no Evangelho de São João, que nos será mais útil para reconhecermos nossa parte na manifestação de Jesus Cristo. O tema de hoje é testemunho. João, na passagem do Evangelho, dá varias vezes o testemunho de que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, ele diz isso aos que estavam ali recebendo o batismo, diz também ao próprio Cristo e a Deus nos céus. Mais tarde, no dia seguinte ao batismo do Senhor, João testemunha de Cristo aos seus discípulos que se encontravam em sua companhia, entre eles estava André, irmão de Simão. André, de modo semelhante a João, ao ter Cristo sido manifesto em sua vida pelo testemunho que João dera dele, foi também testemunhar de Jesus a seu irmão Simão. Pelo testemunho de André, foi Simão ao encontro de Jesus, e ele manifestou-se a ele mudando-lhe o nome, agora não já era apenas Simão, mas Pedro, a pedra que Cristo escolheu para si.

Mais adiante, além do texto proposto para hoje, podemos ver Filipe indo testemunhar a Natanael/Bartolomeu, que também foi ao Senhor, e dessa forma iam os discípulos fazendo a todos os que encontravam. Dar testemunho é parte integral do ministério cristão.

As Boas-Novas  de Cristo devem ser constantes na boca dos que professam Jesus como Salvador. Não é possível ser cristão e não compartilhar do amor de Deus, mesmo aqueles que não podem abrir a boca e pronunciar uma só palavra, testemunham do Mestre pela sua forma de viver. Tão importante quanto o falar é o viver de modo a demonstrar os ensinamentos de Cristo como reais em nosso viver.

Que o nosso Deus, que se manifesta a nós por meio de Sua Palavra e pela graça de Cristo Jesus, nos ajude a testemunhar as Boas-Novas, e que o Espírito Santo confirme nosso testemunho, trazendo muitos ao encontro desse Messias que se manifesta aos homens ainda hoje. Amém

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – O Batismo do Senhor – ano A

Livro do Profeta Isaías 42.1-9

Antífona: Ouve-se a voz do Senhor sobre as águas; troveja o Deus da glória; o Senhor
está sobre as muitas águas. (Sl 29.3)

Salmo 29

Livro dos Atos dos Apóstolos 10.34-43

Aclamação do Evangelho: Depois que Jesus foi batizado, ouviu-se uma voz dos céus:
Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. (Mc 1.11)

Evangelho s. São Mateus 3.13-17

 

O Domingo do Batismo do Senhor encerra o Tempo de Natal e abre o Tempo Comum, quando neste primeiro ciclo celebramos as várias manifestações de Jesus, suas epifanias. A primeira delas foi aos magos do oriente, e a segunda em seu batismo, quando Cristo toma lugar entre os homens e manifesta a sua divindade. É uma mensagem das duas doutrinas mais importantes da Igreja, que muito causaram discussão nos primórdios do Cristianismo, a das naturezas de Cristo e a da Santíssima Trindade.

Em seu batismo Jesus Cristo toma lugar entre a humanidade, afirmando sua encarnação e natureza humana. O Batismo de João é para arrependimento e remissão dos pecados; nosso Senhor não teve pecados e não precisava ser batizado, o próprio João deu testemunho disso, mas Jesus, cumprindo a vontade do Pai, toma seu lugar e proclama a justiça de Deus no meio de seu povo.

Deus então, na unidade da Trindade, se revela a humanidade, na pessoa de Cristo, recebendo o batismo, na pessoa do Espírito Santo, descendo ao encontro do Filho em forma de pombo e  na pessoa do Pai, bradando sua voz dando testemunho de Jesus. O Batismo do Senhor, cujos profetas deram testemunho, era o início de um novo tempo, o Reino havia chegado aos homens, a justiça assim se cumpria!

Nesse domingo relembramos que as águas que foram derramadas sobre nós, ou nas quais fomos submergidos, são o símbolo do que o Espírito de Deus, que desde a eternidade paira sobre as águas, faz em nossos corações, nos purificando de todo o pecado, nos remindo daquilo que não poderíamos fazer por nós mesmos. Quando recebemos esse selo, passamos a integrar o Corpo de Cristo, sua Igreja, na qual estamos para servir e honrar o Senhor que tomou o nosso lugar e cumpriu a justiça de Deus!

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Homilia – Epifania de Nosso Senhor Jesus Cristo – ano A

Livro do Profeta Isaías 60.1-6

Antífona A: E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam. (Sl 72.11)

Salmo 72.1-7, 10-14

Epístola de S. Paulo aos Efésios 3.1-12

Aclamação do Evangelho: Em Jerusalém, os magos perguntavam: Onde está o rec
ém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos
para adorá-lo. (Mt 2.2)

Evangelho s. São Mateus 2.1-12

 

Hoje celebramos a manifestação de Cristo a todos os povos da Terra. A Epifania, uma das festas mais antigas celebradas pelos cristãos, precedente do próprio Natal, é a comemoração da encarnação de Deus e sua salvação universal, isto é, não mais restrita a um só povo ou a alguns de outros povos, mas aberta a todos os gentios, inimigos de Deus, impuros, mas em Cristo Jesus feitos seus filhos e co-herdeiros com o Messias. Como afirma o apóstolo dos gentios no texto de Efésios, este é o mistério de Cristo, a luz para todas as nações.

Já em 361 de nossa presente era, foi relatado a festa da Epifania, que em sua origem celebrava a encarnação, o nascimento, a visita dos magos, a infância de Cristo e seu batismo, ao longos dos séculos essas comemorações foram sendo divididas, para que seus significados fossem mais aprofundados, dessa forma a Epifania, especialmente da tradição ocidental, celebra a encarnação e manifestação de Jesus Cristo a todos os povos, relembrando uma marca importante da Igreja de Cristo, sua universalidade ou catolicidade. Cristo Jesus rompeu o véu do Templo e conferiu aos seus escolhidos livre acesso ao Pai, dentre esses escolhidos, ele incluiu também os impuros, os gentios, que antes limitados ao átrio exterior do Templo, o pátio dos gentios, agora tornar-se-iam o próprio Templo do Espírito Santo de Deus. Na Epifania, celebramos o cumprimento das promessas de Deus feitas aos patriarcas e as profecias dos profetas, de que Deus abençoaria todos os povos da Terra por meio de Israel.

Agora em Jesus já não há judeu, nem grego; homem ou mulher; escravo ou livre, mas todos são um em Cristo Jesus. A mensagem da Epifania é a mensagem do apóstolo S. Paulo, é a mensagem de Deus a humanidade. Em Cristo a salvação é dada pela graça a todos os povos da Terra, para que estes constituam um povo, que assim como os magos do distante Oriente, de várias nações diferentes, possamos ser guiados por Cristo, nossa Estrela, nosso Guia e Luz.

Que a Luz de Cristo brilhe em nossas vidas e que as boas-novas de salvação sejam proclamadas a todos os povos pelo poder do Espírito Santo. Amém.

William de Almeida Santos

Homilia vem do grego e significa “conversa de pai para filho”, na igreja primitiva constituía-se em um pequeno sermão de caráter explicativo, exortativo e exegético, explicando as escrituras de forma curta e objetiva. Era o momento em que o ministro se aproximava da congregação e os instruía, como um pai faz ao filho.

Maria… A Mãe de Deus?

Hoje os católicos celebram a “solenidade de Maria, Mãe de Deus”, nós protestantes não celebrarmos esta festa, ela não está registrada em nossos Lecionários, sendo a data reservada para falar de Maria, 15 de Setembro. Costumamos ser avessos a esse título que é atribuído a Maria, “Mãe de Deus”, pois como bem colocou João Calvino, ele pode gerar certa confusão nas mentes dos que o ouvem, mas não o compreendem de forma adequada. Maria, mulher justa e piedosa, serva do Senhor, pode e deve ser chamada de “Mãe de Deus”, sim isso mesmo! Agora darei os porquês que corroboram a minha afirmação anterior.

A primeira nota que precisamos tomar conhecimento acerca deste título é a sua origem, na verdade a sua “consagração” no Concílio de Éfeso (431), quando a forma “Theotokos” prevaleceu sobre a “Christotokos”. Hoje é comum notarmos muitos evangélicos dizendo “Maria é mãe de Cristo, e não mãe de Deus”, isso meus irmãos se configura num problema, não sobre Maria, mas sobre Cristo e suas naturezas. Assim a primeira nota que devemos tomar para entender essa nomenclatura, é que o título surge não por conta de Maria, mas por conta de Jesus Cristo e suas naturezas, humana e divina. Um pouco de história agora:

Diversos Pais da Igreja, como Orígenes, Dionísio e Atanásio, defendiam que Maria era a “Theotokos”, que em grego significa literalmente “portadora de Deus”, a ideia de “toca” mesmo. No ocidente este título foi traduzido não tão precisamente como “Mãe de Deus” (Mater Dei), no entanto, embora não seja a tradução literal do termo grego, ele expressa que Maria portou e foi mãe do próprio Deus encarnado e não apenas do Cristo humano. Por volta das primeiras décadas do século III, um patriarca de Constantinopla, Nestório, começou a repudiar o título de Theotokos, em favor do título cunhado por ele de “Christotokos”. Nestório tinha um problema não com Maria, mas com Cristo e suas naturezas. Nestório foi considerado um herege pelo Concílio de Éfeso, proclamando como um dogma o título de Theotokos. Quando um evangélico afirma ser Maria a mãe de Cristo apenas, ele demonstra ter um problema não com Maria, mas com as naturezas de Cristo, afinal, se cremos e confessamos ser Cristo totalmente homem e totalmente Deus, como podemos afirmar ser Maria apenas mãe do Jesus Homem? Se assim afirmamos estamos dissociando uma natureza da outra, podendo cair em heresias a séculos combatidas e vencidas nos Concílios Ecumênicos. Nenhuma outra questão, nem mesmo a Trindade, causou tantas polêmicas e as primeiras divisões na igreja visível, como as naturezas de Cristo. Não foi o Grande Cisma do Oriente-Ocidente, a primeira divisão da igreja visível como podemos imaginar, ele foi apenas o “grande”, mas os nestorianos, justamente por conta das naturezas de Cristo e também os não-calcedonianos posteriormente, já haviam se separado da igreja cristã antes disso. Portanto, Theotokos e Mãe de Deus são títulos que falam de Cristo Jesus primeiramente e depois de Maria.

A segunda nota a se tomar conhecimento é a biblicidade do título. Em Lucas 1.43, Isabel, mãe de João Batista e da parentela de Maria pergunta:

1.43   E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? (ARA)

Por Senhor chamamos apenas a Deus, que em Cristo Jesus aprendemos ser Pai, Filho e Espírito Santo. Aqui Isabel não nos fala exatamente que Maria era a Mãe de Deus? Portanto, simples e objetivamente, podemos afirmar que o título que é dado a Maria, por conta de Jesus, e que diz muito sobre ele é bíblico.

O terceiro fato que precisamos tomar nota é que os reformadores, os pais da igreja protestantes, Lutero, Zwinglio e Calvino, este último mesmo dando preferência a forma Mãe do Senhor, concordaram que Maria era a Mãe de Deus, no caso de Calvino indicando apenas que se omitisse o título por conta da confusão que pode ser feita a seu respeito. Se formos ler os reformadores, muitos ficarão de olhos arregalados ao ver o que eles falaram de Maria. Calvino, por exemplo, defendia sua “virgindade perpétua” e considerava uma tolice atentar contra isso. Já Heinrich Bullinger, sucessor de Zwinglio em Zurique, expressou até sua crença sobre a assunção de Maria. Em Lutero também encontraremos muitas referências a Maria, não simplesmente como “uma mulher qualquer”, como podemos ouvir de muitos evangélicos hoje, mas como nos ensina o evangelista Lucas, como uma mulher que guardava a Palavra de Deus no coração e meditava sobre ela, como uma serva, que tendo guardado a Palavra no coração, estava atenta as necessidades do povo, como aconteceu nas bodas de Caná e, mesmo Cristo tendo dito que não havia chegado sua hora, Maria diz aos homens que “fizessem tudo o que Cristo lhes ordenasse”. Precisamos resgatar muito das primeiras visões acerca de Maria pelos reformadores, que a tiraram do longínquo posto divino em que se encontra e a colocaram como um exemplo cristão para toda a igreja, dizendo-se Calvino um verdadeiro seguidor de Maria.

O quarto ponto que precisamos tomar nota é que sim, este é um assunto polêmico, do qual muitos podem tomar atitudes supersticiosas ou entrar em conflitos sobre a natureza de Cristo por conta da ignorância, mas precisamos saber que Maria, por Jesus Cristo, Homem-Deus, foi feita a Mãe de Deus, sua portadora e que este título nos diz mais de Cristo do que de sua Bem-Aventurada e piedosa Mãe.

Que possamos vencer os erros e preconceitos a respeito de Maria e possamos aprender com ela o que ela tem a nos ensinar, assim como aprendemos com os homens e mulheres santos registrados na Palavra de Deus e na história da Igreja. Deus nos abençoe!

William de Almeida Santos