Quando o Tradicional Encontra o “Contemporâneo” e Vice-Versa

Antes de iniciar meus pensamentos gostaria de esclarecer o porquê das aspas. Utilizei aspas porque o termo correto seria “carismático”, mas talvez causasse conflito no título e o tornasse menos interessante. Isto posto, vamos ao encontro.
Hoje participei de um culto numa IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil, para quem não está familiarizado com a sigla) de viés carismático. Louvorzão, vários cantores, músicas contemporâneas bem espiritualizadas, de tom bem alto, “palmas pra Jesus” e outros costumes que caracterizam esses irmãos, alguns dos quais estão em desacordo com as normas do Supremo Concílio da igreja (calma! Não deixe de ler aqui, não estou criticando). Confesso que foi difícil para mim que sou tradicional, haja visto a empreitada que iniciei com esse blog, participar do “momento de louvor”, o famoso bloco de cânticos do culto antes do sermão. A todo momento minha mente buscava uma ordem litúrgica que não estava presente, especialmente durante o “momento de louvor”. Isso acabou tirando minha concentração do culto; a todo tempo pedia a Deus que me ajudasse a me concentrar, já que a minha procura esbarrava em muitas críticas mentais ao que estava acontecendo, pois o culto é para Ele e eu devia me concentrar nisso, mas foi deveras difícil (o mesmo que deve sentir um irmão carismático ao participar de um culto tradicional).O sermão também pendeu para o lado carismático, embora trouxesse uma mensagem concisa. No culto ainda celebrou-se a Ceia, momento que alternava tradição presbiteriana com características carismáticas, isto é, o louvor, excessivamente repetitivo.Durante o culto me senti de certa forma bem frio, me perguntando o porquê não conseguia adorar como o irmão do lado, que levanta as mãos, aplaudia com força e dava até uns pulinhos. Me senti mal em alguns momentos. Após o culto voltei para casa caminhando e pensando em tudo isso… Deus falou comigo esta noite!

Quando o tradicional encontra o carismático sai farpas! Mas Deus me mostrou que é preciso ter muita sabedoria. Neste diálogo que costuma suscitar acusações de “frios” e “quentes”, “fúnebres” e “pentecas” e por aí vai, precisamos entender que há a intenção de adorar a Deus. Continuo defendendo que uma liturgia bem estruturada, que nos chame ao arrependimento, confissão, adoração, edificação, comunhão e nos prepare para o mundo, é mais saudável para o cristão, pois emoções são momentâneas, mas o que se aprende permanece em nós, e uma liturgia tradicional cumpre esse objetivo quando prestada de coração. Mas percebi que devemos ter paciência e estar prontos para ouvir o outro lado, pois há coisas que podemos aprender. A alegria desse tipo de culto pode ser trazida para os responsos litúrgicos e hinos tradicionais. Assim como um direcionamento litúrgico cuidadoso, torna um culto carismático objetivo em seu propósito de adorar a Deus de forma racional em Espírito e em verdade. Nesse diálogo, quando o tradicional encontra o carismático e vice-versa, é possível aprender mutuamente e ensinar mutuamente, sem julgamentos, pois Deus é quem nos julgará, precisamos ter paciência e pedir a Deus que nos ilumine para que Ele seja adorado.

Continuo a defender que um culto tradicional, mais coerente com aquilo que confessamos, é mais saudável a uma IPB, pois assim há compatibilidade entre o cremos e o confessamos, entre o que se aprende na EBD e se fala/louva no culto, mas aprendi que durante o culto a Deus, seja ele de qualquer viés, é preciso pedir a Ele que nos ajude a adorá-lo em verdade, porque o mais emocionalista dos cultos e o mais altamente litúrgico deles, se não for prestado de coração, é feito em vão!

Deus é adorado pelos que o louvam com amor, em Espírito e em verdade; o que defendo é, que pela liturgia tradicional, além de louvarmos a Deus, saímos muito bem doutrinados e preparados do culto. Deus nos ajude, Soli Deo Gloria!

William de Almeida Santos

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Um pensamento sobre “Quando o Tradicional Encontra o “Contemporâneo” e Vice-Versa

  1. Gostei do texto. Acredito sinceramente que não passamos por momentos como este em vão. Já passei por isto, tanto em outras denominações como na presbiteriana. E de fato, em momentos como estes que sentimos a necessidade de muita concentração e uma oração constante: “Senhor, me ajuda a ouvir sua voz, a não sair daqui vazio, mesmo em meio há tanto barulho, externo, e interno, o barulho da mente que numa velocidade surpreendente exprime desconforto, críticas e julgamentos. Misericórdia!”. Tenho a certeza que não possuo em mim nenhuma forma de medir sinceridade do culto de outros. Só Deus é capaz de sondar corações e reconhecer os verdadeiros adoradores. Graças a Deus por isto. Mas são momentos como estes que aprendemos o quanto devemos depender Dele e da direção Dele, o quanto precisamos de mais humildade e mais amor. Contudo eu concordo que um culto mais racional é mais edificante do que o emocional, embora o lado emocional seja tão importante quanto a razão, a alegria, o coração ardente. A preocupação é quando a emoção se ausenta. E aí? Aí é importante conhecer, entender e estar pronto para defender sua fé. Que Deus nos capacite!

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